Domingo, 11 de Fevereiro de 2007

Eça de Queirós

 

 

Eça de Queirós

Autor da obra O Crime do Padre Amaro, José Maria Eça de Queirós (originalmente Queiroz mas mais tarde adaptado à ortografia actual), nasceu na Póvoa do Varzim a 25 de Novembro de 1845. Os seus progenitores foram José Maria de Almeida Teixeira de Queirós, magistrado e escritor, falecido em 1901, e D. Carolina Augusta Pereira de Eça. O casamento só viria a consumar-se quatro anos após o nascimento do escritor.

 

A infância de Eça de Queirós é passada, primeiramente, em Vila do Conde, na casa de uma modesta família. Muda-se mais tarde para Verdemilho (Aveiro), para ser educado pelos avós. A morte destes obrigou a que com dez anos de idade se viesse a estabelecer na cidade do Porto para frequentar o Colégio da Lapa.

 

Matricula-se, em 1861, no curso de Direito da Universidade de Coimbra, local onde conhece alguns dos intervenientes na Questão Coimbrã. Eça viria mais tarde a tornar-se um membro activo da Geração de 70. Contactou também nessa época com algumas ideologias e correntes inovadoras que surgiram como o Positivismo, o Socialismo e o Realismo-Naturalismo. Ainda no último ano do seu curso tem a sua estreia na arte da escrita mediante a publicação de folhetins na Gazeta de Portugal, denominados Notas Marginais. Contudo, o seu estilo literário, semelhante ao francês, não agradou ao público.

 

No final do ano da conclusão do curso, em 1866, funda o jornal da oposição, O Distrito de Évora. Continua a colaboração na Gazeta de Portugal, textos posteriormente compilados na obra Prosas Bárbaras.

 

Em 1867 abandona O Distrito de Évora, iniciando em Lisboa a sua actividade em advocacia. Nesse mesmo ano cria-se o "Cenáculo", centro de convívio intelectual frequentado para além de Eça por nomes como Ramalho Ortigão e Oliveira Martins.

Em Outubro de 1869, parte para o Oriente com objectivo de assistir à inauguração do canal do Suez. O relato da sua viagem é, mais tarde, redigido na obra O Egipto.

 

A sua primeira obra de ficção, o Mistério da Estrada de Sintra, é lançada, em 1870, no Diário de Notícias, em colaboração com Ramalho Ortigão. Nesse mesmo ano, inicia-se na carreira administrativa como administrador da cidade de Leiria. Aí vive numa casa de uma família e a convivência no ambiente beato proporciona-lhe elementos importantes na escrita do romance O Crime do Padre Amaro, de que se conhecem três versões (1875, 1876 e 1880).

 

Em 1871, participa nas controversas Conferências Democráticas do Casino Lisbonense, resultado da evolução que Eça e os seus companheiros pretendiam impor com o Realismo-Naturalismo. Assim, profere "O Realismo como nova expressão da Arte". Ainda nesse ano, publica, novamente em parceira com Ramalho Ortigão, As Farpas, crónicas de cariz satírico.

 

O período seguinte da sua vida foi dedicado ao exercício da diplomacia, através do cargo de cônsul em Havana (1872), Newcastle (1874), Bristol (1878) e Paris (1888).

 

Casa-se com D. Emília de Castro Pamplona Resende em 1886. Os restantes anos são férteis em termos de produção literária, sobretudo em Inglaterra, apesar da distância relativamente a Portugal. Intervém na imprensa nacional como por exemplo na A Actualidade, na Gazeta de Notícias e na Revista Moderna criando ainda a Revista de Portugal.

 

Aquela que é considerada a sua obra-prima, Os Maias, é publicada quando se encontra em Paris em Neuilly, a residir cm os seus quatro filhos e onde viria mais tarde a morrer. A sua última visita a Portugal ocorreu em 1900. Tinha então cinquenta e cinco anos, idade com que faleceu a 16 de Agosto de 1900.

 

Eça deixa-nos um legado riquíssimo, como O Primo Basílio (1878), A Relíquia (1887), A Cidade e as Serras (1901) e A Ilustre Casa de Ramires (1900), entre muitos outros.

 

No percurso da sua obra podem-se diferenciar três fases estéticas: a fase de influência romântica, que se inicia com as Prosas Bárbaras e culmina com o Mistério da Estrada de Sintra; a afirmação do Realismo, com a participação nas Conferências do Casino Lisbonense e patente ainda nos romances O Primo Basílio e O Crime do Padre Amaro; e, por fim, a fase de superação do Realismo-Naturalismo, visível nas obras Os Maias, A Ilustre Casa de Ramires e A Cidade e as Serras.

 

Eça de Queirós representa, pois, um marco na literatura portuguesa, ao revelar-se o principal escritor realista no contexto nacional e inovador na forma de escrita em prosa.

 

Algumas obras de Eça de Queirós publicadas antes e depois da sua morte:

  • A Capital (concluída pelo filho e publicada em 1925)
  • A Cidade e as Serras (1901)
  • A Correspondência de Fradique Mendes (1900)
  • A Ilustre Casa de Ramires (1900)
  • A Relíquia (1887)
  • A Tragédia da Rua das Flores (1980)
  • Alves & C.a (1925)
  • Contos (1902)
  • Correspondência (1925)
  • O Conde de Abranhos (1925)
  • O Crime do Padre Amaro (1875, 1876, 1880)
  • O Egipto (1926)
  • O Mandarim (1880)
  • O Mistério da Estrada de Sintra (1870)
  • O Primo Basílio (1878)
  • Os Maias (1888)
  • Prosas Bárbaras (1903)
  • Últimas Páginas (1912)
  • Uma Campanha Alegre (conjunto de textos de Eça presentes em As Farpas, publicado em 1890/1891)

Fontes:

Sentimo-nos: Queirosianos
Publicado por Twice às 23:45
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