Segunda-feira, 5 de Março de 2007

O drama da maternidade indesejada

A problemática da maternidade não desejada, do sofrimento daí resultante para os progenitores que, muitas vezes, se vêm obrigados a dar para adopção uma criança, sem dar conta do seu futuro, é um tema que sempre esteve presente em todas as sociedades.
 

Sentimentos como o medo ou vergonha de assumir perante a família ou sociedade comportamentos que esta pode reprovar, induzem, por vezes, à tomada de decisões marcantes nas suas vidas. Estas opções podem passar pela interrupção voluntária da gravidez, adopção ou até abandono, por vezes com desfecho trágico para os intervenientes.
 

O Crime do Padre Amaro aborda esta problemática, sendo, por isso, uma obra intemporal e bastante actualizada. No romance está bem patente toda a ansiedade de Amaro e Amélia, verificável nas seguintes passagens retiradas do mesmo:

 
Tomada de consciência da gravidez e o desespero


 
“… Amaro abria abruptamente a porta do escritório, fechou-a de repelão e, sem dar os bons-dias ao colega, exclamou:

-   A rapariga está grávida!

O cónego que estava escrevendo, caiu como uma massa fulminada para as costas da cadeira:

- Que me diz você?

- Grávida!

E no silêncio que se fez o soalho gemia sob os passeios furiosos do pároco da janela para a estante.

- Está você certo disso? - perguntou enfim o cónego com pavor.

- Certíssimo! A mulher já andava desconfiada. Já não fazia senão chorar… Mas agora é certo… As mulheres conhecem, não se enganam. Há todas as provas… Que hei-de fazer, Padre-Mestre? …. ”

 

(Página 271)


O sentimento de não ser aceite pela sociedade e família

 

“…. – Imagine você o escândalo! A mãe, a vizinha …. E se suspeitam de mim?... Estou perdido… Eu não quero saber, eu fujo!

O cónego coçava estupidamente o cachaço, com o beiço caído como uma tromba. Representavam-se-lhe já os gritos em casa, a noite do parto, a S. Joaneira eternamente em lágrimas, toda a sua tranquilidade extinta para sempre…”

 

(Página 271)

 

A tentativa de resolução da situação


“ … - Mas então que quer você? – disse o cónego. - Não quer decerto que se dê uma droga à rapariga, que a arrase…

Amaro encolheu os ombros, impaciente com aquela ideia insensata. O padre-mestre, positivamente, estava divagando…”

 

“ - De quantos meses está ela?

-De quantos meses? Está de agora, está de um mês…

- Então é casá-la! – Exclamou o cónego com explosão. - Então é casá-la com o escrevente!

O padre Amaro deu um pulo:

- Com diabos, tem razão! É de mestre! … “  

 

(Página 272)

  

“… Foi em casa do sineiro, daí a dias, que Amaro participou a Amélia o plano do padre-mestre. Preparou-a, revelando-lhe primeiro que o cónego Dias sabia de tudo…”

 

“… E agora escuta, filha. Não te aflijas com o que te vou dizer, mas é necessário, é a nossa salvação…

Às primeiras palavras, porém, do casamento com o escrevente, Amélia indignou-se com espalhafato.

- Nunca, antes morrer! …”

 

(Página 274)

 

A ponderação de uma solução

 

“ … Amélia recebia estas notícias com desconsolação. Depois das primeiras páginas, a irremediável necessidade impusera-se-lhe, muito forte. Por fim, que lhe restava? Daí a dois ou três meses com aquele seu desgraçado corpo de cinta fina e quadris estreitos, não poderia esconder o seu estado. E que faria então? Fugir de casa, ir como a filha do Tio Cegonha para Lisboa, ser espancada no Bairro Alto pelos marujos ingleses, ou como a Joaninha Gomes, que fora amiga do padre Abílio, levar pela cara os ratos mortos que lhe atiravam os soldados? Não. Então, tinha de casar…

Depois vir-lhe-ia um menino ao fim dos sete meses (era tão frequente!) legitimado pelo sacramento, pela lei e por Deus Nosso Senhor… E o seu filho teria um papá, receberia uma educação, não seria um enjeitado…”

  

(Página 277)


A consumação de uma solução

 

“… - Eu pensei que o Sr. Pároco tinha arranjado tudo… Que se ia dar a criança a criar fora da terra… - Está claro, está claro – interrompeu o pároco com impaciência. – Se a criança nascer viva, é evidente que se há-de dar a criar, e que há-de ser fora da terra… Mas aí é que está! Quem há-de ser a ama? É isso que eu quero que você me arranje. Vai sendo tempo…”

  

“ A Dionísia chegou-se ao pároco, e baixando a voz: - Ai, menino, eu não gosto de acusar ninguém. Mas, está provado, é uma tecedeira de anjos! (…) – O que é isso? Que significa isso? – perguntou o pároco. A Dionísia gaguejou-lhe uma explicação. Eram mulheres que recebiam crianças a criar em casa. E sem excepção as crianças morriam…”

 

(Página 232)

 

O fim

 

“ Meu caro Padre-Mestre:

Treme-me a mão ao escrever estas linhas. A infeliz morreu. Eu não posso, bem vê, e vou-me embora, por se aqui ficasse estalava-me o coração. Sua e Excelentíssima Irmã lá estará tratando do enterro… Eu, como compreende, não posso. Muito lhe agradeço tudo… Até um dia, se Deus quiser que nos tornemos a ver. Por mim conto ir para longe, para alguma pobre paróquia de pastores, acabar meus dias nas lágrimas, na meditação e na penitência. Console como puder a desgraça da mãe. Nunca me esquecerei do que lhe devo, enquanto tiver um sopro de vida. E adeus que nem sei onde tenho a cabeça.

Seu amigo do C.

Amaro Vieira

P.S. – A criança morreu também, já se enterrou. "

 

(Página 359)

 

Fontes:

  • QUEIRÓS, Eça de (1980), O Crime do Padre Amaro, 271, 272, 274, 277, 232, 359. Lisboa: Livros do Brasil
Sentimo-nos: Investigadores

Do real ao romance

Eça de Queirós esteve em Leiria cerca de um ano, reduzido período de tempo, mas as referências ao espaço citadino e arredores são uma constante na sua obra O Crime do Padre Amaro. Se o espaço físico figura na obra de forma abundante, o espaço social não é menos retratado. O romance O Crime do Padre Amaro mostra as relações existentes entre as várias personagens que habitam determinados espaços. Como em qualquer romance, o autor exprime aquilo que é real, em termos de espaço físico e nas relações sociais, introduzindo neles a ficção inerente às vivências do escritor. A referência a lugares ou personagens identificáveis pelo leitor cria um “efeito real”, como que tornando as personagens e locais verdadeiros, aumentando assim, o interesse do leitor pela obra.

 

Voltando à obra O Crime do Padre Amaro, a situação é exemplar. Qualquer leiriense que inicie a leitura identifica inúmeros espaços e personagens, ficando com a percepção de uma vivência efectiva da cena.

 

O espaço citadino é o mais valorizado e é onde se passa a maior parte da acção. Os locais são facilmente identificáveis: Torre Sineira, Sé, Administração do concelho (edifício no Largo da Sé), Botica do Carlos (Farmácia Paiva), casa da S. Joaneira (Casa da Travessa da Tipografia), Praça (arcadas), Rossio e Alameda Velha (Marachão).

O espaço rural é muito variado e dificilmente identificável. Dulcelina Santos organiza-os em quatro grupos:

 

1.      As entradas e saídas da cidade, com traços identificáveis actualmente: “Estrada da Figueira com a Ponte Velha que dava para a Alameda Velha (Marachão); a estrada dos Marrazes – a caminho do Morenal; a Estrada de Lisboa – “paisagens de colinas tristes e árvores enfezadas”; o largo do Chafariz (Fonte da Três Bicas) – onde chega a diligência do Chão de Maçãs, com os visitantes e o correio da tarde (Mala-posta).”

 

2.      “Com o evoluir da acção, Eça leva-nos para fora da cidade: os encontros de Amélia e Amaro na Quinta de D. Maria, as idas ao Morenal, os passeios pelo Atalho da Barroca e Caminho de Sobros e as passagens por Cortegaça.” Ao longo da sua leitura, o leitor é induzido para um cenário localizado na direcção do mar (Barosa?) e, por outro lado, para locais mais interiores como Cortes, Marrazes ou Pousos.

 

3.      A Praia da Vieira é lugar de tradição para “ir a banhos”. “Enquanto uns saboreiam regaladamente esse hábito burguês, Amélia e Amaro sofrem dramaticamente o exílio de Amélia na Quinta da Ricoça, a cerca de meia légua da cidade, perto dos Poiais para o lado da Barrosa”. Segundo Dulcelina Santos, a toponímia, com excepção da Praia da Vieira, continua a baralhar-nos. Parece haver uma identificação com a Barosa, não só pelas suas descrições e distâncias, mas pela toponímia Barrosa.”

 

4.      “Um conjunto de lugares mais distantes da cidade e menos ligados à acção, perfeitamente localizáveis pela coincidência da toponímia: freguesia de Amor e de Santa Catarina, Alcobaça, Pombal e Ourém. A propósito de Santa Catarina (supostamente “da Serra”), onde o Barão de Salgueiro tinha uma quinta e uma casa apalaçada (ainda existe no lugar a “Quinta do Salgueiro”), Eça faz dizer ao Padre Natário, comentando “o pecado que vai pelo mundo”: “Mas a freguesia de Santa Catarina era a pior! As mulheres casadas tinham perdido todo o escrúpulo – piores que cabras”.

 

Confirma-se que a referência a espaços e ambientes identificáveis no romance é muito superior aos não identificáveis. Os identificáveis trazem realismo à obra e favorecem uma visão da cidade, levando o leitor a imaginar a acção. Os espaços não identificáveis, ou de difícil identificação, são aqueles em que a intriga e o drama são maiores, levando o leitor a sentir compaixão, vergonha, ódio e revolta. Eça terá aqui aliado a realidade à ficção, de modo a que o crime e a tragédia não fossem facilmente associados a um local preciso. Terá sido intencional segundo Dulcelina Santos. Afirma ela: “Não poderia ser de outro modo, pois, se o fosse, a história aproximar-se-ia de um fait diver, perdendo a dimensão modelar ou arquetípica que distingue todos os grandes romances”.

 

Fonte:

  • SANTOS, Dulcelina (2000). “Do espaço romanesco ao espaço real”, Jornal de Leiria (Suplemento), 19 de Outubro
Sentimo-nos: Exploradores
Publicado por Twice às 11:52
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O Jornalismo no Crime do Padre Amaro

Passamos a apresentar outro ponto de abordagem da obra de Eça, O Crime do Padre Amaro: o jornalismo.

 

Fontes:

 

  • QUEIRÓS, Eça de (1980), O Crime do Padre Amaro, Lisboa: Livros do Brasil
Sentimo-nos: Analíticos
Publicado por Twice às 11:49
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Encenação de uma cena do Crime do Padre Amaro

Sentimo-nos: Actores
Publicado por Twice às 11:43
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Anúncio do Crime do Padre Amaro

Sentimo-nos: Spots Publicitários

Citação Queirosiana da Semana IV

Eça de Queirós pronunciou-se, relativamente ao tema político, criticando a desordem que reinava no governo nacional. A seguinte citação queirosiana foi retirada d'O Distrito de Évora, tendo sido publicada no ano de 1867:

 

 

"Em Portugal não há ciência de governar nem há ciência de organizar oposição. Falta igualmente a aptidão, e o engenho, e o bom senso, e a moralidade, nestes dois factos que constituem o movimento político das nações."

Sentimo-nos: Comunicativos
Publicado por Twice às 10:20
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Notas soltas

Navegue na barra abaixo para aceder a um leque de curiosidades queirosianas.

 

Sentimo-nos: informados
Publicado por Twice às 10:08
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Domingo, 4 de Março de 2007

Anagrama

Um anagrama constitui um jogo de palavras que consiste em alterar a ordem das letras de uma expressão para formar uma outra, com algum significado. Tendo esta noção presente é possível gerar o seguinte anagrama:

 

 

Sentimo-nos: brincalhões
Publicado por Twice às 00:53
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Sexta-feira, 2 de Março de 2007

Passeio Queirosiano

Quarta-feira, 28 de Fevereiro de 2007

Entrevista ao Dr. Acácio de Sousa

O Clã Twice entrevistou o Dr. Acácio de Sousa, Director do Arquivo Distrital de Leiria.

Sentimo-nos: Repórteres
Publicado por Twice às 22:08
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Entrevista à Dra. Isabel Damasceno

O Clã Twice entrevistou também a Dra. Isabel Damasceno, actual Presidente da Câmara de Leiria, que além de falar de Eça, de Leiria e da obra, também falou da iniciativa do SAPO Challenge.

Sentimo-nos: Repórteres
Publicado por Twice às 21:20
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Terça-feira, 27 de Fevereiro de 2007

Entrevista à Prof. Dulcelina Santos

O Clã Twice reuniu-se com a Professora Dulcelina Santos, professora de Português e de Francês, mestrada na área da Pragmática da Linguística e autora de um exaustivo trabalho acerca dos espaços abordados em O Crime do Padre Amaro, onde se falou de vários aspectos.

 

Interesse da obra para um Leiriense e polémica da obra em Leiria

 

 
Análise dos espaços da obra
 
 
 
Análise das temáticas da obra
 
 
Sentimo-nos: Repórteres
Publicado por Twice às 19:03
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Segunda-feira, 26 de Fevereiro de 2007

Vídeo da Reportagem - Eça vida que eu tive e Eça obra que eu criei

Sentimo-nos: Repórteres
Publicado por Twice às 23:56
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Reportagem - Eça vida que eu tive e Eça obra que eu criei

José Maria de Eça de Queirós, autor de O Crime do Padre Amaro, figura atenta ao seu meio envolvente, escreveu obras que são o espelho dessas mesmas sociedades. Enquanto Administrador do Concelho de Leiria, captou ao pormenor a sociedade beata leiriense, reunindo os dados necessários para escrever aquele que é considerado o primeiro romance realista português, repleto de críticas a aspectos ardilosamente mascarados nas personagens e na própria acção da obra.

 

Leiria Queirosiana

 

Enquanto cidadão de Leiria, Eça de Queirós passou por locais citadinos que ainda hoje se podem reconhecer no Passeio Queirosiano, e que são retratados em O Crime do Padre Amaro.

De forma a dar maior visibilidade a esses espaços, a Câmara de Leiria, em parceria com outras entidades, elaborou um percurso pedestre que os identifica. Segundo a Dra. Isabel Damasceno, actual Presidente da Câmara Municipal de Leiria: “Há um roteiro histórico que faz o percurso dentro do centro histórico da cidade, identificando os espaços onde o Eça localiza a acção do próprio livro, para que as pessoas consigam identificar os locais descritos na obra”.

O Percurso Queirosiano engloba, para além dos locais retratados na obra O Crime do Padre Amaro, os locais frequentados por Eça na sua estadia de um ano em Leiria e onde exerceu as suas funções.

O Passeio Queirosiano tem o seu ponto de partida na Igreja de S. Pedro. Outrora teatro, foi o local onde Eça e uma fidalga com quem estava envolvido se encontraram. Mais tarde, antes da construção da actual, terá sido a Sé de Leiria.

O ponto seguinte do roteiro é a Torre Sineira, sobre a qual existe uma casa que, na obra, é descrita num local distinto, junto à Sé.

A Sé, estrutura imponente e outra das paragem do passeio, é o local onde o Padre Amaro celebrava a missa. A sua construção teve início em 1550 e beneficiou de obras de reabilitação, sobretudo na fachada principal, devido ao facto de ter sido fortemente danificada na sequência do terramoto de 1755. O seu interior, nomeadamente a sacristia, são também locais referidos na obra.

Junto à Sé encontram-se os dois locais seguintes do roteiro. Em primeiro lugar, e à direita da Sé, existe a Administração do Concelho, local onde Eça de Queirós exerceu as suas funções enquanto Administrador do Conselho de Leiria. Em segundo lugar, e ainda no largo da Sé, o edifício azul que alberga a antiga Farmácia Paiva, serviu de modelo à Botica do Carlos.

No percurso da Sé para o Terreiro, identificam-se mais dois dos locais pertencentes à Leiria Queirosiana. O mais longo, a Rua Direita, foi a rua por onde Eça passava diariamente quando se deslocava para a Administração do Concelho. Na obra representa o trajecto que Amaro percorria para ir para a Sé, praticamente o mesmo percurso de Eça de Queirós, visto que a casa onde Amaro estava alojado, a da S. Joaneira, corresponde à casa que Eça habitou enquanto esteve em Leiria, a Casa da Travessa da Tipografia.

No culminar da Rua Direita existe o Terreiro, onde se situavam as residências da alta aristocracia leiriense, como o Solar do Barão de Salgueiro, à data Presidente da Câmara, onde Eça passou por um dos mais caricatos e humilhantes episódios da sua vida, no baile de máscaras do Carnaval de 1871.

O passeio segue depois para a Praça Rodrigues Lobo, com as suas arcadas, espaço de convívio e de comércio, por onde Eça e Amaro passeavam.

Numa das saídas da praça existia a Assembleia Leiriense, local onde se fazia a leitura dos jornais e de que Eça foi sócio. Era também um ponto de encontro dos mais notáveis de Leiria.

No caminho para a margem do rio Lis, hoje totalmente remodelado, situa-se o Rossio, local onde Amaro e o Cónego Dias costumavam passear e onde actualmente se pode ver a Fonte Luminosa e o Jardim Luís de Camões.

Finalmente, e com vista para o rio, surge o Marachão, local preferido por muitos cidadãos para desfrutar de um belo passeio junto ao Lis e usufruir de uma excepcional vista sobre Leiria.

 

Celibato dos padres

 

Atento analista da sociedade, Eça de Queirós caracterizou a sociedade leiriense de beata e muito devassa, como aliás refere o Dr. Acácio de Sousa, Director do Arquivo Distrital de Leiria: “Ele [Eça] perguntou ao seu secretário como era Leiria, ao que ele respondeu que era uma cidade muito beata, muito fechada, muito parola, mas por trás da beatice era uma devassidão permanente (...)”.

Abordado em O Crime do Padre Amaro, o celibato dos padres começa a ser questionado nos dias de hoje. É legítimo? Será que deve ser mantido para sempre, sem qualquer excepção? Confrontados com a questão do celibato, alguns cidadãos leirienses revelaram já uma mente aberta relativamente a esta questão. Desta feita, apenas 27,3% dos inquiridos revelaram ser a favor do celibato, enquanto 63,6% apresentaram-se totalmente contra essa norma imposta pela Igreja. A taxa de abstenção é muito reduzida (9,1%).

A maioria dos entrevistados manifestou-se desfavoravelmente à manutenção do celibato, de que são exemplo estes testemunhos:

- “A religião católica está muito atrasada em relação à mentalidade da sociedade em que vivemos. Não tem acompanhado a evolução do pensamento das pessoas, e isso verifica-se na questão do celibato, do aborto, do uso de contraceptivos, etc. Se calhar por isso também tem perdido muitos fiéis.”.

- “Acho que os padres são pessoas como outras quaisquer, têm é que ter uma função nas crianças para promover a religião e a fé em Deus, ou pelo menos a acreditar que há qualquer coisa que nos move, o que é importante. Acho que o celibato não lhes dá o equilíbrio necessário, porque todos nós somos humanos e precisamos de algum apoio familiar, daí que eu considere que o celibato não nos ajuda.”

- “Penso que o padre é um ser humano como outro qualquer. Deus, quando criou o homem, disse: «Multiplicai-vos», portanto eu acho que o homem, mesmo sendo padre, tem as mesmas necessidades básicas que tem qualquer outro ser humano. Há até outras religiões em que o padre, sendo casado, não é menos padre que do que o padre da religião católica, precisamente porque compreende melhor os problemas dos outros tendo os mesmo problemas em sua própria casa. Desta forma, um padre não tem necessariamente de ser um celibatário para ser um bom sacerdote.”

- “É uma estupidez o facto de o padre hoje em dia não poder constituir uma família. Por isso é que costumamos ouvir episódios como a Casa Pia, porque o padre, ao fim e ao cabo, é um ser humano igual aos outros, por isso tem todo o direito de fazer a sua vida.”

A escassez de padres foi, também, um dos argumentos para justificar a opinião contrária ao regime de celibato.

Encontrámos, igualmente, opiniões favoráveis ao celibato, em acordo com o que é estipulado pelas autoridades eclesiásticas, conforme demonstra o seguinte testemunho:
- “Se o sacerdote escolheu [o celibato] e sabia que era isso que o esperava quando foi para o sacerdócio, então deve manter essa promessa. Agora se a Igreja facultar entre o celibato e o casamento penso que aí os padres se podem casar.”.

Fontes:

Sentimo-nos: Trabalhadores

Citação Queirosiana da Semana III

Tendo Eça sido uma figura de destaque na literatura e na crítica social, pronunciou-se relativamente ao carácter mediático do jornal e a sua influência na mentalidade da sociedade do século XIX. Assim sendo, apresentamos um excerto da autoria de Queirós, retirado d'A Correspondência de Fradique Mendes:

 

 

"Nas nossas democracias a ânsia da maioria dos mortais é alcançar em sete linhas o louvor do jornal. Para se conquistarem essas sete linhas benditas, os homens praticam todas as acções - mesmo as boas.
(...) Para aparecerem no jornal, há assassinos que assassinam.
(...) O jornal exerce todas as funções do defunto Satanás, de quem herdou a ubiquidade; e é não só o pai da mentira, mas o pai da discórdia."

Sentimo-nos: em destaque
Publicado por Twice às 21:24
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Quinta-feira, 22 de Fevereiro de 2007

Sinopse e Caracterização das Personagens da Obra

 
Fonte:
  • FONSECA, Maria Amália (1994), Apontamentos Europa-América Explicam Eça de Queirós - O Crime do Padre Amaro. Mem Martins: Publicações Europa-América
Sentimo-nos: Envolvidos no crime
Terça-feira, 20 de Fevereiro de 2007

E assim nasceu a obra...

O Crime do Padre Amaro é considerado por muitos como a primeira obra importante do escritor Eça de Queirós.

 

Eça foi o criador de uma nova corrente de escrita, o “Realismo como nova expressão de Arte”, segundo a qual a criação de um romance se deveria basear na observação da realidade, no realçar da beleza e na manifestação do sentido de justiça.

 

Eça de Queirós escreveu este romance em resultado de um orgulho ferido, por se ter sentido desprestigiado pelo seu trabalho, perante uma assembleia de Senhoras da alta sociedade.

 

Nesta época, era frequente realizarem-se encontros sociais em casas de Senhoras da sociedade Leiriense, os quais contavam com a assídua presença do Sr. Vigário, Pároco da Sé.

 

Num destes encontros, uma das Senhoras solicitou a Eça que recitasse algumas das suas poesias, pedido a que o mesmo acedeu. Terminada a sua actuação, teceram-se alguns comentários pela assembleia presente. Destaca-se, no entanto, o facto de a actuação de Eça ter merecido, da parte do Sr. Vigário, comentários pouco abonatórios e sobretudo constrangedores para alguém que procurava cativar uma plateia de Senhoras, não tivesse o Sr. Vigário proferido o seguinte:

 

-  “Olhe, minha Senhora, isto de poetas são todos patetas.”

 

Desagradado, de orgulho muito ferido e como que num acto de vingança, Eça, ao arrepio dos axiomas em que a sua corrente literária se deveria basear, apressou-se a criar O Crime do Padre Amaro, baseando-se "Num realismo convencional" e "Na adivinhação", conforme a opinião de alguns escritores consagrados (Ramalho Ortigão e Oliveira Martins).

 

Este sentimento de orgulho ferido conduziu Eça a inspirar-se num escritor francês para a criação da figura moral do Padre Amaro. A figura física baseou-se na do então Prior dos Marrazes-Leiria, satirizando um pouco a Santa Madre Igreja.

 

 

Fonte:

  • RAMOS, Ruy de  Moura (2000), "Como nasceu o Crime do Padre Amaro, romance escrito em Leiria". Jornal de Leiria (suplemento), 19 de Outubro
Sentimo-nos: Curiosos
Publicado por Twice às 17:07
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Crítica ao Filme

 

A versão cinematográfica portuguesa da obra O Crime do Padre Amaro foi lançada a 27 de Outubro de 2005. A realização do filme esteve a cargo de Carlos Coelho da Silva, fazendo parte do elenco nomes como Soraia Chaves, Jorge Corrula, Nicolau Breyner e Rogério Samora.

 

Apesar de se manter a intencionalidade crítica à hipocrisia religiosa, ilustrada no incumprimento do celibato, o filme revela disparidade em relação à obra de Eça de Queirós. Tanto o intuito como o conteúdo do livro queirosiano foram deturpados na sua adaptação ao cinema transformando-se, assim, um dos mais notáveis romances da literatura portuguesa numa libidinosa maratona de 102 minutos. Independentemente de tal facto, tornou-se num dos filmes mais vistos em Portugal, no qual se substitui a subtileza e brilhante ironia social de um autor consagrado por um leque de imagens extremamente ousadas.

 

O público português é, assim, confrontado com uma imagem distorcida do meritório trabalho de Eça, associando o Crime do Padre Amaro a um conteúdo lascivo.

 

Fontes:

Sentimo-nos: Críticos
Segunda-feira, 19 de Fevereiro de 2007

Citação Queirosiana da Semana II

No contexto religioso, encontrámos o seguinte excerto de Eça de Queirós, retirado d'A Correspondência de Fradique Mendes:

 

 

"Uma religião a que se elimine o ritual desaparece - porque as religiões para os homens (com excepção dos raros metafísicos, moralistas e místicos) não passam de um conjunto de ritos, através dos quais cada povo procura estabelecer uma comunicação íntima com o seu deus e dele obter favores."

Sentimo-nos: Filósofos
Publicado por Twice às 21:16
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Domingo, 18 de Fevereiro de 2007

O gosto requintado de Eça de Queirós

José Maria Eça de Queirós para além de notável escritor, protagonista do realismo em Portugal, era igualmente um conhecido bom garfo. Esta sua característica reflecte-se nas constantes descrições culinárias feitas nas suas obras, desde o jantar no Hotel Central (episódio d’Os Maias) até à destreza gastronómica da S. Joaneira.

Apresentamos, neste contexto, o seguinte excerto, extraído d’O Crime do Padre Amaro (pp.28-30):

"Mas a S. Joaneira gritou de cima:

– Pode subir, senhor cónego! Está o caldo na mesa!

– Ora vá, vá, que você deve estar a cair de fome, Amaro! – disse o cónego, erguendo-se muito pesado.

(…)

No meio da sala de jantar, forrada de papel escuro, a claridade da mesa alegrava, com a sua toalha muito branca, a louça, os copos reluzindo à luz forte dum candeeiro de abat-jour verde. Da terrina subia o vapor cheiroso do caldo e, na larga travessa a galinha gorda, afogada num arroz húmido e branco, rodeada de nacos de bom paio, tinha uma aparência suculenta de prato morgado.

– E o senhor cónego toma um copinho de geleia, sim?

- Vá lá, para fazer companhia – disse jovialmente o cónego, sentando-se e dobrando o guardanapo.

(…)

O cónego deitava-lhe o vinho de alto, fazendo-o espumar.

(…)

Riram; e bebendo, na alegria das reminiscências, recordavam as histórias de então, o catarro do reitor, e o mestre do cantochão que deixara um dia cair do bolso as poesias obscenas de Bocage.

- Como o tempo passa, como o tempo passa! – diziam.

A S. Joaneira então pôs na mesa um prato covo com maçãs assadas.

- Viva! Não, lá nisso também eu entro! – exclamou logo o cónego. A bela maçã assada! nunca me escapa! Grande dona de casa, meu amigo, rica dona de casa, cá a nossa S. Joaneira! Grande dona de casa!

Ela ria; viam-se os seus dois dentes de diante, grandes e chumbados. Foi buscar uma garrafa de vinho do Porto; pôs no prato do cónego, com requintes devotos, uma maçã desfeita, polvilhada de açúcar."
 


Fontes:

  • QUEIRÓS, Eça de (1980), O Crime do Padre Amaro, 28-30. Lisboa: Livros do Brasil
Sentimo-nos: Esfomeados
Publicado por Twice às 19:49
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Quarta-feira, 14 de Fevereiro de 2007

Dia dos Namorados

O Crime do Padre Amaro é um exemplo do amor incondicional e capaz de ultrapassar grandes adversidades. Assim, não podemos deixar de recordar o dia 14 de Fevereiro, Dia dos Namorados, sem aqui deixar uma das cartas de Amaro à sua amada Amélia:

 

     "Ameliazinha do meu coração [dizia ele]. Não posso atinar com as razões maiores que a não deixaram responder ao bilhetinho que lhe dei em casa da senhora sua mamã; pois que era pela muita necessidade que tinha de lhe falar a sós, e as minhas intenções eram puras, e na inocência desta alma que tanto lhe quer e não medita o pecado.

     Deve ter compreendido que lhe voto um fervente afecto, e pela sua parte me parece (se não me enganam esses olhos que são os faróis da minha vida, e como a estrela do navegante), também tu, minha Ameliazinha, tens inclinação por quem tanto te adora; pois que até outro dia, quando o Líbano quinou com os seus primeiros números, e que todos fizeram tanta algazarra, tu apertaste-me a mão por baixo da mesa com tanta ternura, que até me pareceu que o Céu se abria e que eu sentia os anjos a entoarem o Hossana! Por que não respondeste pois? Se pensas que o nosso afecto pode ser desagradável aos nossos anjos-da-guarda, então te direi que maior pecado cometes trazendo-me nesta incerteza e tortura, que até na celebração da missa estou sempre com o pensar em ti, e nem me deixa elevar a minha alma ao divino sacrifício. Se ouvisse que este mútuo afecto era obra do Tentador, eu mesmo te diria: ó minha bem-amada filha, façamos o sacrifício a Jesus, para lhe pagar parte do sangue que derramou por nós! Mas eu tenho interrogado a minha alma e vejo nela a brancura dos lírios. E o teu amor também é puro como a tua alma, que um dia se unirá à minha, entre os coros celestes, na bem-aventurança. Se tu soubesses como eu te quero querida Ameliazinha, que até às vezes me parece que te podia comer aos bocadinhos! Responde pois, e diz se não te parece que poderia arranjar-se a vermo-nos no Morenal, pela tarde. Pois eu anseio por te exprimir todo o fogo que me abrasa, bem como falar-te de coisas importantes e sentir na minha mão a tua, que eu desejo que me guie pelo caminho do amor, até aos êxtases de uma felicidade celestial. Adeus, anjo feiticeiro, recebe a oferta do coração do teu amante e pai espiritual"

Amaro

Fontes:

  • QUEIRÓS, Eça de (1980), O Crime do Padre Amaro, 125-6. Mem-Martins: Livros de Bolso Europa-América
Sentimo-nos: Apaixonados
Publicado por Twice às 15:34
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Segunda-feira, 12 de Fevereiro de 2007

Citação Queirosiana da Semana

Queirós, expoente e pioneiro na corrente realista nacional, revelou ser igualmente uma personagem analítica e crítica de uma sociedade e uma política atrasadas e de uma religião corrompida. Neste contexto, expomos o seguinte excerto, retirado de uma carta escrita por Eça a Joaquim de Araújo, datada de 25 de Fevereiro de 1878:

"O riso é a mais útil forma da crítica, porque é a mais acessível à multidão. O riso dirige-se não ao letrado e ao filósofo, mas à massa, ao imenso público anónimo. É por isso que hoje é tão útil como irreverente rir das ideias do passado: a multidão não se ocupa de ideias, ocupa-se das fórmulas visíveis, convencionais das ideias. Por exemplo: o povo em Portugal, nas províncias, não é católico - é padrista: que sabe ele da moral do cristianismo? da teologia? do ultramontanismo? Sabe do santo de barro que tem em casa, e do cura que está na igreja."

Sentimo-nos: Historiadores
Publicado por Twice às 10:23
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Domingo, 11 de Fevereiro de 2007

Eça de Queirós

 

 

Eça de Queirós

Autor da obra O Crime do Padre Amaro, José Maria Eça de Queirós (originalmente Queiroz mas mais tarde adaptado à ortografia actual), nasceu na Póvoa do Varzim a 25 de Novembro de 1845. Os seus progenitores foram José Maria de Almeida Teixeira de Queirós, magistrado e escritor, falecido em 1901, e D. Carolina Augusta Pereira de Eça. O casamento só viria a consumar-se quatro anos após o nascimento do escritor.

 

A infância de Eça de Queirós é passada, primeiramente, em Vila do Conde, na casa de uma modesta família. Muda-se mais tarde para Verdemilho (Aveiro), para ser educado pelos avós. A morte destes obrigou a que com dez anos de idade se viesse a estabelecer na cidade do Porto para frequentar o Colégio da Lapa.

 

Matricula-se, em 1861, no curso de Direito da Universidade de Coimbra, local onde conhece alguns dos intervenientes na Questão Coimbrã. Eça viria mais tarde a tornar-se um membro activo da Geração de 70. Contactou também nessa época com algumas ideologias e correntes inovadoras que surgiram como o Positivismo, o Socialismo e o Realismo-Naturalismo. Ainda no último ano do seu curso tem a sua estreia na arte da escrita mediante a publicação de folhetins na Gazeta de Portugal, denominados Notas Marginais. Contudo, o seu estilo literário, semelhante ao francês, não agradou ao público.

 

No final do ano da conclusão do curso, em 1866, funda o jornal da oposição, O Distrito de Évora. Continua a colaboração na Gazeta de Portugal, textos posteriormente compilados na obra Prosas Bárbaras.

 

Em 1867 abandona O Distrito de Évora, iniciando em Lisboa a sua actividade em advocacia. Nesse mesmo ano cria-se o "Cenáculo", centro de convívio intelectual frequentado para além de Eça por nomes como Ramalho Ortigão e Oliveira Martins.

Em Outubro de 1869, parte para o Oriente com objectivo de assistir à inauguração do canal do Suez. O relato da sua viagem é, mais tarde, redigido na obra O Egipto.

 

A sua primeira obra de ficção, o Mistério da Estrada de Sintra, é lançada, em 1870, no Diário de Notícias, em colaboração com Ramalho Ortigão. Nesse mesmo ano, inicia-se na carreira administrativa como administrador da cidade de Leiria. Aí vive numa casa de uma família e a convivência no ambiente beato proporciona-lhe elementos importantes na escrita do romance O Crime do Padre Amaro, de que se conhecem três versões (1875, 1876 e 1880).

 

Em 1871, participa nas controversas Conferências Democráticas do Casino Lisbonense, resultado da evolução que Eça e os seus companheiros pretendiam impor com o Realismo-Naturalismo. Assim, profere "O Realismo como nova expressão da Arte". Ainda nesse ano, publica, novamente em parceira com Ramalho Ortigão, As Farpas, crónicas de cariz satírico.

 

O período seguinte da sua vida foi dedicado ao exercício da diplomacia, através do cargo de cônsul em Havana (1872), Newcastle (1874), Bristol (1878) e Paris (1888).

 

Casa-se com D. Emília de Castro Pamplona Resende em 1886. Os restantes anos são férteis em termos de produção literária, sobretudo em Inglaterra, apesar da distância relativamente a Portugal. Intervém na imprensa nacional como por exemplo na A Actualidade, na Gazeta de Notícias e na Revista Moderna criando ainda a Revista de Portugal.

 

Aquela que é considerada a sua obra-prima, Os Maias, é publicada quando se encontra em Paris em Neuilly, a residir cm os seus quatro filhos e onde viria mais tarde a morrer. A sua última visita a Portugal ocorreu em 1900. Tinha então cinquenta e cinco anos, idade com que faleceu a 16 de Agosto de 1900.

 

Eça deixa-nos um legado riquíssimo, como O Primo Basílio (1878), A Relíquia (1887), A Cidade e as Serras (1901) e A Ilustre Casa de Ramires (1900), entre muitos outros.

 

No percurso da sua obra podem-se diferenciar três fases estéticas: a fase de influência romântica, que se inicia com as Prosas Bárbaras e culmina com o Mistério da Estrada de Sintra; a afirmação do Realismo, com a participação nas Conferências do Casino Lisbonense e patente ainda nos romances O Primo Basílio e O Crime do Padre Amaro; e, por fim, a fase de superação do Realismo-Naturalismo, visível nas obras Os Maias, A Ilustre Casa de Ramires e A Cidade e as Serras.

 

Eça de Queirós representa, pois, um marco na literatura portuguesa, ao revelar-se o principal escritor realista no contexto nacional e inovador na forma de escrita em prosa.

 

Algumas obras de Eça de Queirós publicadas antes e depois da sua morte:

  • A Capital (concluída pelo filho e publicada em 1925)
  • A Cidade e as Serras (1901)
  • A Correspondência de Fradique Mendes (1900)
  • A Ilustre Casa de Ramires (1900)
  • A Relíquia (1887)
  • A Tragédia da Rua das Flores (1980)
  • Alves & C.a (1925)
  • Contos (1902)
  • Correspondência (1925)
  • O Conde de Abranhos (1925)
  • O Crime do Padre Amaro (1875, 1876, 1880)
  • O Egipto (1926)
  • O Mandarim (1880)
  • O Mistério da Estrada de Sintra (1870)
  • O Primo Basílio (1878)
  • Os Maias (1888)
  • Prosas Bárbaras (1903)
  • Últimas Páginas (1912)
  • Uma Campanha Alegre (conjunto de textos de Eça presentes em As Farpas, publicado em 1890/1891)

Fontes:

Sentimo-nos: Queirosianos
Publicado por Twice às 23:45
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Sexta-feira, 9 de Fevereiro de 2007

Clã Twice

Bem-vindo ao blog do clã Twice. Este blog insere-se no âmbito da segunda fase do concurso SAPO Challenge, pelo que será actualizado regularmente ao longo das quatro semanas em que o concurso estiver a decorrer.

 

Membros do Clã Twice (da esquerda para a direita): João Penedo, Diogo Almeida, Raquel Fonseca, Rita Sales e Mariana Branco

Membros do Clã Twice (da esquerda para a direita):

João Penedo, Diogo Almeida, Raquel Fonseca, Rita Sales e Mariana Branco.

 

O nosso clã tem como membros Diogo Almeida, João Penedo, Mariana Lopes, Raquel Fonseca e Rita Sales, de dezasseis anos, frequentando o 11º ano de escolaridade, na Escola Secundária de Domingos Sequeira, em Leiria.

 

Todos nós optámos pelo agrupamento de ciências e tecnologias devido ao interesse comum que temos pelas ciências como a matemática e a biologia, nomeadamente pelo seu papel na compreensão do mundo que nos rodeia. A música, confraternização/convívio com os amigos são também interesses comuns entre nós.

 

Decidimos aventurarmo-nos nesta Aventura do Conhecimento dado que consideramos esta iniciativa bastante meritória, uma vez que constitui um desafio estimulante para nós, aliando o desenvolvimento dos hábitos de leitura com uma componente tecnológica que vai de encontro às nossas preferências.

 

Dada a parceria do concurso com o Plano Nacional de Leitura, foi-nos proposta a escolha de uma obra da autoria de um autor português de prestígio, que no nosso caso recaiu sobre O Crime do Padre Amaro, de Eça de Queirós. A nossa escolha prendeu-se com o facto de a acção da obra decorrer na cidade de Leiria, na qual somos residentes e pelo facto de, por outro lado, Eça de Queirós ser largamente reconhecido como um génio literário, que em muito engrandeceu a literatura portuguesa, sendo O Crime do Padre Amaro mais um dos exemplares do brilhante legado queirosiano. E é nessa obra que o nosso trabalho se vai basear, por isso:

 

Convidamos-te a ser cúmplice…

Sentimo-nos: Leirienses
Publicado por Twice às 19:02
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