Segunda-feira, 5 de Março de 2007

EÇAs cenas hilariantes...

Ao longo da nossa jornada queirosiana, produzimos vários conteúdos ilustrativos do grande génio de Eça e da sua obra, alguns dos quais foram publicados em formato vídeo. Aqui ficam algumas das cenas cortadas mais divertidas:

 

Sentimo-nos: Produtores/Realizadores
Publicado por Twice às 11:44
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Quarta-feira, 28 de Fevereiro de 2007

Entrevista ao Dr. Acácio de Sousa

O Clã Twice entrevistou o Dr. Acácio de Sousa, Director do Arquivo Distrital de Leiria.

Sentimo-nos: Repórteres
Publicado por Twice às 22:08
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Entrevista à Dra. Isabel Damasceno

O Clã Twice entrevistou também a Dra. Isabel Damasceno, actual Presidente da Câmara de Leiria, que além de falar de Eça, de Leiria e da obra, também falou da iniciativa do SAPO Challenge.

Sentimo-nos: Repórteres
Publicado por Twice às 21:20
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Terça-feira, 27 de Fevereiro de 2007

Entrevista à Prof. Dulcelina Santos

O Clã Twice reuniu-se com a Professora Dulcelina Santos, professora de Português e de Francês, mestrada na área da Pragmática da Linguística e autora de um exaustivo trabalho acerca dos espaços abordados em O Crime do Padre Amaro, onde se falou de vários aspectos.

 

Interesse da obra para um Leiriense e polémica da obra em Leiria

 

 
Análise dos espaços da obra
 
 
 
Análise das temáticas da obra
 
 
Sentimo-nos: Repórteres
Publicado por Twice às 19:03
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Segunda-feira, 19 de Fevereiro de 2007

Vídeo da Entrevista - Eça de Queirós revela o seu lado mais íntimo

 
Sentimo-nos: Curiosos

Guião da Entrevista: Eça de Queirós revela o seu lado mais íntimo

"Não sou exactamente o retrato de um Adónis ou de um Apolo" confessa Eça de Queirós, autor consagrado da obra que abordamos no nosso blog, O Crime do Padre Amaro. Numa entrevista pessoal e intimista, o Clã Twice tentou fugir dos aspectos mais divulgados de Eça de Queirós para dar a conhecer o outro lado deste grande escritor, através da filmagem da sua participação no programa feminino "Por trás de um grande escritor há com certeza um homem".

 

(Voz off, feminina, mas não a da jornalista) – Sejam bem-vindas a mais uma edição da nossa rubrica semanal “Por trás de um grande escritor há com certeza um homem”. O nosso convidado no programa de hoje é um escritor que dispensa apresentações. De tal forma, que não faltam aí pelos escaparates biografias deste que é por muitos considerado o maior romancista de todos os tempos. Senhoras espectadoras, connosco José Maria de Eça de Queirós!

 

J – Muito boa tarde, sr. doutor, ou cônsul, não sei qual das designações prefere…

 

E. Q. – José Maria basta, por favor. É assim que me tratam os amigos.

 

J – Então ficamo-nos por essa…

 

E. Q. (interrompendo) - De Queirós, mas como lhe disse prefiro apenas José Maria.

 

J – Desculpe, penso que não entendeu bem o que quis dizer, mas deixe estar.

 

E. Q. – Tenha a bondade, minha senhora.

 

J (com um ar embevecido) - Então, muito obrigada. José Maria, comecemos por falar das biografias que sobre si têm sido publicadas. Suponho que … (é interrompida de modo algo brusco)

 

E. Q. – Nem me fale em tal. Se eu apanhasse a jeito todos aqueles – e aquelas – que têm andado a escrever sobre mim, sei bem o que lhes fazia (simula umas bengaladas). E eu que pensei que por esta altura o Freud já teria passado de moda! Enganei-me, pelos vistos…

 

J (com um ar genuinamente aparvalhado) - Freud? Talvez queira explicitar a sua linha de raciocínio, para as espectadoras, compreende…

 

E.Q. – Bem, se é realmente preciso… É que não entendo a insistência com que pretendem analisar as circunstâncias do meu nascimento; enfim, a minha ilegitimidade. Posso garantir-lhe que tive uma infância perfeitamente feliz e o facto de ter sido registado como filho de mãe incógnita não condicionou o meu carácter.

 

J – Realmente é interessante que mencione esse aspecto. Quer dizer que, na sua opinião, os queirosianos, de um modo geral… (é de novo interrompida)

 

E.Q. – “Os queirosianos”, como lhes chama, têm–me usado como mero veículo de promoção pessoal,  semeando por aí muitos Eças de Queirós. Razão tem o meu bisneto, o António, que os ataca, embora eu ache que não vale a pena um homem dar-se a tal incómodo. O que anda na maior parte das minhas biografias são clones meus – (em tom de semi-confidência) - ouvi dizer que esta palavra é agora muito popular.

 

J – Nesse caso, esqueçamos as biografias e vamos à descoberta do homem por trás do escritor, que é o que realmente interessa às nossas telespectadoras.

A sua infância foi feliz, já o disse. E a adolescência? Também passou pelas crises existencialistas próprias dos jovens?

 

E.Q. – Parece que a adolescência no séc. XXI tem poucas coisas em comum com a adolescência no séc. XIX. É claro que tive uma borbulhita ou outra, mas essas crises existencialistas de que fala devem ser uma invenção recente. Desculpe desiludi-la, mas a verdade é que ocupava o meu tempo de forma perfeitamente trivial: lia, falava aqui e ali com rapaziada da minha idade, tentava namoriscar, na altura ainda com pouco sucesso. As minhas grandes topadas sentimentais vieram mais tarde, já em Coimbra.

 

J – Ah, mas aí era já um homenzinho, não?

 

E.Q. – Nalguns aspectos, com certeza, que eu fui sempre muito homem (pisca-lhe o olho, com ar maroto). Mas ainda não tinha completado 16 anos quando cheguei à Faculdade de Direito.

 

J (Muito lentamente, como se estivesse a digerir a informação) - Quer então dizer que entrou na Faculdade com 15 anos!!! Mas o José Maria devia ser um génio!

 

E.Q. – Minha querida, no fundo, aquilo que mais interessou aos vetustos examinadores foi que eu despejasse, direitinho e certinho, o meu Racine. Suponho que qualquer energúmeno seria capaz de o fazer, e a prova está na quantidade incomensurável de asnos que se passeavam por Coimbra, desde alguns dos meus colegas até ao próprio reitor.

 

J – De qualquer forma, isso significa que é também muito bom em línguas. Fala correctamente o francês, o inglês, o castelhano… Posso considerá-lo um perfeito poliglota?

 

E.Q. – Deus me livre…O perfeito domínio das línguas estrangeiras, e sobretudo no que respeita à sua pronúncia, constitui uma lamentável sabujice com o estrangeiro. Um homem só deve falar, com impecável segurança e pureza, a língua da sua terra: - todas as outras as deve falar mal, orgulhosamente mal, com aquele acento chato e falso que denuncia logo o estrangeiro. Comprends? (com sotaque belga).

 

J – Mas falá-las correctamente dá outro élan, non?...

 

E.Q! – Não, o estrangeiro é aliás dispensável. Repare, o meu “amigo” Fradique teve uma tia, mulher admirável, que falando apenas “minhoto”, percorreu toda a Europa. Por razões de saúde, comia apenas ovos. Pois em qualquer país onde se encontrasse, fosse ele a Alemanha, a França ou a Rússia, nos hotéis e restaurantes, esta minhota de gema chamava o empregado e, agachada, rodando as saias tufadas e gritando “có-có-ró-qui-qui”, nunca deixou de comer os seus ovos, superiormente frescos.  (O Eça vai fazendo os gestos, agachado sobre o tapete, enquanto vai falando).

 

J – Ai, o José Maria é tão engraçado! (seca duas lágrimas de tanto rir). Mas retornando a Coimbra. Tenho a certeza de que aí viveu episódios hilariantes. Não quer destacar um deles que possa fazer as delícias das nossas espectadoras?

 

E. Q. Isso agora… Havia tanto para dizer sobre a vida em Coimbra… Os copos, as noitadas, as tertúlias, as partidas na república…

 

J – Conte, conte! (com um ar super-excitado). Tenho a certeza que as nossas espectadoras estão tão ansiosas como eu para conhecer detalhes romanescos da sua vida.

 

E.Q. – Já que insiste…(sorri e deita um olhar brejeiro à jornalista) Olhe, certa vez estava uma noite de Inglaterra, daquelas em que os raios parecem determinados a esmiuçar as entranhas da terra e ouvi uns ruídos vindos do quarto. Estranhei, mas limitei-me a perguntar o que era. É claro que os meus companheiros começaram imediatamente a enxovalhar-me. Que era um supersticioso, que tinha medo de bruxas… Prontamente, retorqui: “Medo, não tenho, mas tenho respeito; afinal, bruxas são mulheres, o que é sério, e, além disso, são sempre velhas, o que é seríssimo!”

Durante umas semanas não houve mulher, sobretudo mais velha, que víssemos na rua e não se sentisse afrontada pelas nossas pilhérias. “É muito respeito, minha senhora, é tudo muito respeito!”, assegurávamos nós entre as mais descomunais e inconvenientes gargalhadas.

 

J – Ah, Ah! Deve ter sido realmente divertido. Mas essas brincadeiras não virão provar o que por aí se diz? Que o José Maria era muito moderno, muito moderno, mas quando se tratava de avaliar as mulheres não passava de um conservador. Enfim, o José Maria não era afinal um grandessíssimo machista, com perdão da palavrinha, que parece um bocadinho forte?

 

E. Q. – Ora essa, minha querida. Refuto completamente tal acusação. O que é preciso é ver que há mulheres e mulheres. Senão, veja: as meninas lisboetas de 1870 eram, regra geral, jovenzinhas anémicas, enfezadas, com um aspecto romanticamente tísico, cultivando as olheiras por fora e as lombrigas por dentro. Em contrapartida, as meninas criadas em quintas tinham outras condições, naturalmente. E, junto com o florescimento corporal, o marido destas meninas teria a garantia da sua inocência, o que não se poderia afiançar quanto às jovens alfacinhas…

Repare que as grandes diferenças são facilmente explicáveis: umas não saíam à rua, não sabiam o que era água a não ser para bebericarem umas gotas, resumiam o exercício físico a meia dúzia de passos miudinhos e periclitantes em torno dos canapés; as outras levantavam-se com o sol, corriam aos campos acompanhando as vacas, retouçando com elas na erva fresca e bebendo do seu leite. É muita a diferença. Como lhe dizia, há mulheres e mulheres!

 

J – Podemos então afirmar sem margem para qualquer dúvida que é um incurável apreciador do belo sexo?

 

E.Q. Evidentemente. As mulheres são seres soberbos, divinais.

 

J – Essa sua atracção pelas mulheres fatais nunca lhe trouxe dissabores?

 

E. Q. – Então não trouxe?!... Olhe, aqui entre nós, aconteceu-me precisamente o mesmo que ao João da Ega, d’Os Maias, quando foi corrido praticamente a pontapés, à frente de quem quis ver, de casa do Cohen, no baile de máscaras organizado pela deliciosa Raquel.

 

J – Pois esse momento sublime é um retrato de uma situação que viveu realmente?

 

E. Q. – É verdade. Estava eu em Leiria, cidade mesquinha e beata, um autêntico marasmo social, político, cultural, o que quiser. Desempenhava as funções de Administrador do Concelho e pelo Carnaval, estávamos em 1871, o Barão de Salgueiro, então presidente da Câmara, dava um baile de máscaras. Aprimorei-me, claro. Revi os jornais da moda, consultei amigos e decidi-me: iria de Cupido, até porque andava enlevado pela mais bela aristocrata da cidade (e aqui entre nós, ela não desdenhava). Fiquei esplêndido. (assume um ar sonhador, enlevado). O fato era de malha, muito justo e moldando-me as formas todas. As asas brancas, de cambraia fina, adequavam-se magnificamente ao meu dorso estreito e levemente arqueado; carregava o arco e uma aljava cheia de pequenas flechas. Assim que entrei, escandalizei. (faz um sorriso deleitado e malandro). Enfim, quando já nos encontrávamos a sós, num quarto fechado, preparando-me eu para sorver as delícias da bela dama, sou infamemente descoberto, levado de rastos até à porta da rua e dali brutalmente precipitado pelas escadas abaixo. À frente de todos, assim, escorraçado como um cão lazarento.

 

J – Mas isso foi muito engraçado, ó José Maria, não acha? Tenho a certeza que as nossas espectadoras adoraram esta sua experiência de vida.

 

E.Q. – Minha querida, engraçado só se for para si. Imagina as horas terríveis que eu passei? Cheguei a casa derreado, moído, cheio de ferimentos e dores e, pior que tudo, com aquela ignóbil sensação de que me tinha caído a alma – e o orgulho – na latrina. Ao meu amigo Artur Couceiro1 limitei-me a dizer: “Consummatum est! – Olha, sou um Cupido desasado!”

 

J – Não guarda, pois, as melhores recordações de Leiria?

 

E.Q. – Enfim, também não é tanto assim. Houve coisas boas, lá isso houve. De qualquer forma, não fiquei muito mais tempo em Leiria. Em Dezembro do mesmo ano já eu estava em Havana, como Cônsul de Portugal, o que foi esplendidamente bom, porque me proporcionou uma longa viagem pelos Estados Unidos, em visita oficial às comunidades portuguesas.

 

J – Como seria agradável para as nossas espectadoras que nos revelasse as impressões que colheu nesse imenso país. Infelizmente, esta entrevista está a acabar. De resto, já me fazem dali sinal de que o tempo se esgotou. Não nos quer deixar aqui só mais um breve episódio da sua visita aos Estados Unidos?

 

E.Q. – Bem, assim de repente, posso relatar-lhe o que me aconteceu logo à entrada no país, ainda na própria alfândega norte-americana.

 

J – Pois faça favor…

 

E.Q. – Se calhar já reparou que não sou exactamente o retrato de um Adónis ou de um Apolo. Mas tenho a minha vaidadezinha, gosto de me arranjar, dou valor a certos acessórios como o bigode reluzente, a bengala, mas principalmente as gravatas e lenços.

 

J – De facto, já tinha reparado que traz uma gravata formidável…

 

E.Q. Muito obrigada. Sabe que os homens também são sensíveis aos galanteios…

Mas dizia eu que, como faço sempre que viajo, levei também na minha bagagem exactamente 200 gravatas. Pode à primeira vista parecer-lhe estupidamente exibicionista, mas a verdade é que nunca se sabe quando é que não vamos precisar daquela gravata específica, que por acaso era a centésima nonagésima nona, e que por termos estabelecido um arbitrário limite de 198 gravatas, ficou em casa.

Pois imagine só a desfaçatez do funcionário da alfândega que, perante um distinto membro da diplomacia do velho continente, pretendeu cobrar-me direitos de importação pelas minhas gravatas.

 

J – Reagiu de forma fleumática, com certeza…

 

E. Q. – Olhe, não! Estava bem-humorado e limitei-me a perguntar, com o meu “savoir-dire” (pronúncia belga): “Se a América tem 50 Estados, porque não pode um Cônsul de Portugal entrar com 200 gravatas?” O homenzinho riu-se e poupou-me ao imposto. Tinha sentido de humor. Só posso admitir que apesar de funcionário zeloso, era também um homem inteligente.

 

J – José Maria, foi com mais um momento de fino humor que mostrámos às nossas caras espectadoras “o homem por trás do grande escritor”. Foi um prazer imenso tê-lo connosco.

 

E.Q. – Ora, o prazer por ter estado em tão deliciosa companhia foi meu. Não mo queira retirar.

 

J – E assim nos despedimos por hoje. Não perca na próxima semana mais um convidado especial na rubrica “Por trás de um grande escritor há com certeza um homem”. Boa tarde!

 

1 - Por lapso, referimo-nos a Artur Couceiro em vez de a Júlio Teles devido a uma fonte incorrecta. Tal situação deve-se ao facto de Júlio Teles ser muitas vezes referenciado como aquele que serviu de base à construção da personagem Artur Couceiro.

 

Fontes:

  • VERDASCA, José. Há 160 anos nascia Eça de Queiroz. Acedido em: 10, Fevereiro, 2007. Linguagem Viva: http://www.linguagemviva.com.br/linguagem195.html
  • COOK, Carla. Uma perspectiva tradicional da mulher num homem moderno: Eça de Queirós. Acedido em: 10, Fevereiro, 2007. Adiaspora.com: http://www.adiaspora.com/_port/educa/trabalho/carlacook.htm
  • CARDOSO, Orlando. Leiria Queirosiana. Acedido em: 10, Fevereiro, 2007. Região de Turismo Leiria Fátima: http://www.rt-leiriafatima.pt/roteiros.php?idreg=10
  • CARVALHO, Alfredo de (1918), Eça de Queirós (Sua primeira fase literária), Lisboa: Livraria Brazileira.
  • MÓNICA, Maria Filomena (2001), Eça de Queirós, Lisboa: Quetzal Editores.
  • QUEIRÓS, Eça de (s.d.), Os Maias, Lisboa: Livros do Brasil.
  • QUEIRÓS, Eça de (s.d.), A Correspondência de Fradique Mendes, Lisboa: Livros do Brasil.
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