Quarta-feira, 14 de Fevereiro de 2007

Dia dos Namorados

O Crime do Padre Amaro é um exemplo do amor incondicional e capaz de ultrapassar grandes adversidades. Assim, não podemos deixar de recordar o dia 14 de Fevereiro, Dia dos Namorados, sem aqui deixar uma das cartas de Amaro à sua amada Amélia:

 

     "Ameliazinha do meu coração [dizia ele]. Não posso atinar com as razões maiores que a não deixaram responder ao bilhetinho que lhe dei em casa da senhora sua mamã; pois que era pela muita necessidade que tinha de lhe falar a sós, e as minhas intenções eram puras, e na inocência desta alma que tanto lhe quer e não medita o pecado.

     Deve ter compreendido que lhe voto um fervente afecto, e pela sua parte me parece (se não me enganam esses olhos que são os faróis da minha vida, e como a estrela do navegante), também tu, minha Ameliazinha, tens inclinação por quem tanto te adora; pois que até outro dia, quando o Líbano quinou com os seus primeiros números, e que todos fizeram tanta algazarra, tu apertaste-me a mão por baixo da mesa com tanta ternura, que até me pareceu que o Céu se abria e que eu sentia os anjos a entoarem o Hossana! Por que não respondeste pois? Se pensas que o nosso afecto pode ser desagradável aos nossos anjos-da-guarda, então te direi que maior pecado cometes trazendo-me nesta incerteza e tortura, que até na celebração da missa estou sempre com o pensar em ti, e nem me deixa elevar a minha alma ao divino sacrifício. Se ouvisse que este mútuo afecto era obra do Tentador, eu mesmo te diria: ó minha bem-amada filha, façamos o sacrifício a Jesus, para lhe pagar parte do sangue que derramou por nós! Mas eu tenho interrogado a minha alma e vejo nela a brancura dos lírios. E o teu amor também é puro como a tua alma, que um dia se unirá à minha, entre os coros celestes, na bem-aventurança. Se tu soubesses como eu te quero querida Ameliazinha, que até às vezes me parece que te podia comer aos bocadinhos! Responde pois, e diz se não te parece que poderia arranjar-se a vermo-nos no Morenal, pela tarde. Pois eu anseio por te exprimir todo o fogo que me abrasa, bem como falar-te de coisas importantes e sentir na minha mão a tua, que eu desejo que me guie pelo caminho do amor, até aos êxtases de uma felicidade celestial. Adeus, anjo feiticeiro, recebe a oferta do coração do teu amante e pai espiritual"

Amaro

Fontes:

  • QUEIRÓS, Eça de (1980), O Crime do Padre Amaro, 125-6. Mem-Martins: Livros de Bolso Europa-América
Sentimo-nos: Apaixonados
Publicado por Twice às 15:34
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