Domingo, 18 de Fevereiro de 2007

Carnaval de 1871

Na sua curta passagem pela Cidade de Leiria, Eça de Queirós deixou testemunhos que permitem concluir que também deveria ser um adepto das fantasias de Carnaval. Participou num baile de máscaras, no Carnaval de 1871, no palácio do Barão de Salgueiro, na época presidente da Câmara de Leiria.

O Carnaval representava uma época festiva em que os cidadãos se podiam fantasiar ou assumir um comportamento menos adequado ao seu estatuto, sem se sujeitarem à crítica social. Assim, com esse espírito, fantasiou-se de cúpido, talvez para melhor exprimir os seus sentimentos por alguém.

Uma entrevista a D. Maria das Dores (MD), residente na travessa da tipografia nº 13, contemporânea de Eça de Queirós, publicada a 24 de Dezembro de 1939 pelo jornal “Republica” (jR) é disso testemunha. A seguir transcrevemos um trecho da entrevista em que ela se refere a um baile de máscaras no palácio do Barão Salgueiro:

 

“(jR): Recorda-se de um escândalo qualquer que houve com o Eça por causa de um baile?

A Sr.ª Maria das Dores (MD) desvia os olhos de nós para pensar um momento.

(MD): - Sim, sim … Ouvi falar muito nisso. Parece até que o trataram muito mal, mas porque não o conheceram. A gente com a máscara parece outra pessoa! Vai daí que não o conheceram.

(jR): - Mas a Sr.ª Maria das Dores não pode precisar bem o que foi? Veja lá …

A simpática velhinha sorri:

(MD): - Ora!

(jR): - Interessava-nos …

(MD): - Não foi nada assim mau, isso não foi! Coisa de rapazes. Se calhar meteram o Eça em pândegas …

(jR): - E …

(MD): - E ele fez aquilo.

(jR): - Mas como foi?

(MD): - Olhe! O Sr. Barão, o Barão de Salgueiro, deu um baile de máscaras que foi coisa grande. Ficou falado. E às tantas da noite, bem pela noite velha, ouviu-se um grande barulho à porta. A fidalguia correu logo para saber o que era. E o que era! Os criados agarravam um homem quase nu, mascarado de amor (cúpido), que trazia uma máscara na cara e que queria entrar a viva força. Houve uma barulheira, juntou-se a assistência toda, mas o homem foi-se embora sem tirar a máscara. E quasi nu! Que doidice!

(jR): - Mas quem era?

(MD): - Ora! O Eça apareceu dali a pouco, vestido como andava sempre. Contaram-lhe o caso e ele riu-se muito. Mas toda a gente soube, depois, que tinha sido ele. Rapazes!

A Sr.ª Maria das Dores tem um grande sorriso de perdão – e de saudade. Eram outros tempos, havia o fulgor vivo da mocidade. E ela sabe – se sabe! – que a juventude deixa ir um pedaço de si agarrada a cada dia que passa.”

 

Sobre este episódio, ao chegar a casa, Eça de Queirós comentou para o seu confidente Júlio Teles "Consummatum est – olha sou um cúpido desasado".

 

Fontes:

Os Twice desejam-vos um bom Carnaval!

Sentimo-nos: Prontos para a festa
Publicado por Twice às 20:54
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